• Gleba do Lavapés, proposta de intervenção urbana

  • projeto: Larissa Fiorin. TFG - FAUUSP, 2016.

     

    Este trabalho constitui uma proposta de plano urbanístico e projeto de edificações para uma gleba de aproximadamente 10 hectares localizada na região da várzea do rio Tamanduateí contida entre os córregos do Cambuci e Lavapés (afluentes hoje canalizados), mais especificamente entre as atuais ruas do Lavapés, Junqueira Freire e Otto de Alencar, em São Paulo.

    O terreno, hoje totalmente desocupado, abrigou até 2014 as primeiras Oficinas e estábulos de bondes a tração animal da São Paulo Tramway,  Light and Power Company, conhecidas como Oficinas do Cambuci.  A escolha desse local para as instalações fabris da Cia Light, no início do século XX, pode ser compreendida como parte ativa do desenvolvimento da estrutura urbana dessa região enquanto bairro operário. Tal desenvolvimento foi impulsionado pela proximidade entre a  área e o centro urbanizado (em expansão) e por ela estar localizada em superfície que escapava dos alagados permanentes, o que contribuiu para tornar-se passagem obrigatória do trajeto entre São Paulo e Santos (antigo caminho do mar).

    O Plano Diretor Estratégico de São Paulo, lançado no mesmo ano da demolição das antigas oficinas considerou a gleba ZEIS 5, implicando em regras específicas de parcelamento, uso e ocupação do solo. Tal área faz parte também da Operação Urbana Bairros do Tamanduateí (dezembro de 2014), a qual sugere propostas de adensamento populacional com a destinação de área para HIS e HMP e a criação de um parque. Além disso, um empreendimento dessa dimensão acarreta a destinação obrigatória de área significativa para uso público, como no mínimo 10% para áreas verdes,  5% para áreas institucionais e 10% de área sem afetação previamente definida.

    De modo geral, o plano urbanístico proposto constitui-se pela definição de um eixo estruturador central norte-sul, composto por edifícios de uso misto e por uma praça linear que se mostra a medida que o local é experienciado. Ela apresenta escalas de visibilidade, ora permeada entre edifícios, de onde revela-se por alguns ângulos, ora mostrando-se totalmente na parte sul do terreno, próximo à rua do Lavapés, de onde a conexão visual entre ela, os transeuntes e os edifícios que a cercam nas quadras vizinhas acontece de forma direta. As ruas que ladeiam este eixo central ligam-se às vias de transposição do Rio Tamanduateí, continuando esse importante eixo de ligação entre bairros. As vias que saem transversalmente deste eixo, no sentido leste-oeste, são ruas locais e definem setores predominantemente residenciais, onde os comércios e serviços locais pretendem ser diversificados e pulverizados nos térreos. Vias destinadas a circulação de pedestres cortam essas ruas locais e recebem habitações desde o térreo, como se fossem vilas.

    O uso institucional foi atribuído ao projeto do Museu Alfredo Volpi, implantado na alça criada pela continuação da rua do Lavapés que adentra no terreno. Acredita-se que a criação de um museu dedicado a um pintor de grande importância para a história da arte brasileira (e mundial), que retratava e era influenciado pelas características do jovem Bairro do Cambuci, pode reavivar de alguma forma a história desse antigo bairro operário e concomitantemente, criar uma centralidade urbana capaz de atrair o público geral e reforçar ligações com a cidade.

     

     

    projeto completo: https://issuu.com/larissafiorin/docs/tfg_fauusp_gleba_do_lavap__s